Opinião* O visconde que me amava - Julia Quinn

00:17 Babi Mac 0 Comments

Título Original: The Viscount Who Loved Me
Autora: Julia Quinn
Série: Os Bridgertons #Livro 2
Gênero: Romance de época
Ano: 2013
Páginas: 290
Editora: Arqueiro
Tradutor(a): Ana Resende

Julia Quinn escreve deliciosamente bem e possui um estilo encantador. Considerada a Jane Austen contemporânea, em “O visconde que me amava” a autora conseguiu me deixar fascinada com situações hilárias, familiares e românticas que apareceram ao decorrer do livro. Só sei que nesse segundo livro da série, já me tornei fã da autora.







   Sejam bem vindos à sociedade de Londres, 1814 caros leitores.
Visconde Anthony Bridgerton é o mais velho dos irmãos, e desde a morte do pai, ele acatou a total responsabilidade pelos sete irmãos, pela mãe e pela herança da família. Além disso, graças ao acidente que matou seu pai Edmund, Anthony tem absoluta certeza que não superará a idade que seu pai tinha quando morreu. Assim, logo morreria aos 38 anos, como o pai.
   Atormentado por realmente acreditar nisso, o visconde começa a viver de libertinagem e bebida, até a chegada da idade em que precisa se casar como qualquer cavalheiro de verdade faria.
Tomada a decisão de arrumar uma esposa bonita, educada e que não possa amar – já que estava fadado a morrer, então que seja sem comprometer uma dama ao sofrimento -, o visconde decide participar da temporada de bailes de Londres.
“Havia certos benefícios em ser considerado o libertino mais censurável da Inglaterra. Quase todos o temiam, por exemplo. Mas chegara a hora de se casar. Ele devia sossegar e ter um filho. Tinha um título a legar, afinal.”
Página 23 - Anthony

   Agora vamos a nossa outra protagonista: a Srta. Katharine Sheffield é um a mulher difícil de ser descrita por seu diferencial no seu tempo. Diferente de sua meia irmã Edwina, que sempre foi o centro das atenções por toda a sociedade londrina por causa da sua beleza e gentileza óbvias. E Kate sempre foi a irmã mais velha, que desde a morte de sua mãe e mais para frente do seu pai, aprendeu a agradecer pela maravilhosa boadrasta e a irmã que ganhou.
    E com o início da temporada (bailes dados pelas mães dos homens e das mulheres, para ser ‘dados e dadas’ para matrimonio), Edwina tem que se casar e Kate já se acostumou com a ideia de ser uma solteirona. Mas agora, por causa de um anuncio dado por sua irmã numa festa, que dizia que todos os candidatos de Edwina teriam que ter a aprovação de Kate, a mesma terá que ter a paciência de um padre para lidar com um certo visconde que é candidato a ser seu futuro cunhado.


   Em uma festa, todas as teorias diabólicas e nada conservadoras que tinha sobre o Visconde Anthony Bridgerton, Kate descobre que agora pode odiá-lo – ou quase - por ter as provas bem na sua frente. 

“–Não o odeio, milorde. – respondeu escolhendo as palavras com muito cuidado. – Eu nem o conheço. 
– Conhecer é raramente um pré-requisito para odiar. – retrucou ele em voz baixa, encarando-a com aqueles olhos fatais. – Ora, Srta. Sheffield, a senhorita não me parece covarde. Responda a pergunta.
– Não o odeio, mas descobri que não posso gostar do senhor.
Alguma coisa nos olhos do visconde deixou claro que apreciava sua sinceridade.
–E por quê? – indagou em voz baixa.
–Posso ser franca?
–Por favor.
– O senhor não é o tipo de homem com quem eu gostaria de ver minha irmã se casar – falou. Ela era direta, e os olhos castanhos e inteligentes não se desviavam do dele. –O senhor é um libertino. Um patife. Na verdade, é conhecido por ser as duas coisas. Eu jamais permitiria que minha irmã ficasse a mais de 3 metros do senhor.”

Página 41 - Anthony e Kate

   Com as investidas claras de Anthony a Edwina, Kate se vê se esbarrando no homem com mais frequência do que gostaria. Na verdade, Anthony vê mais a futura cunhada do que a própria pretendente.
Convivendo quase que semanalmente com o visconde, Kate se vê em um conflito de desaprovação e admiração pelo homem.
Encontros acidentais e cada um com um tipo de tensão diferente, fizeram com que os dois se acostumassem a companhia um do outro.

   Com sutileza percebemos que mesmo com um tipo de –quase– ódio entre os dois nasceu uma amizade a ser admirada. E eu mesma, como leitora apreciei quando Edwina percebeu esse sentimento e praticamente se excluiu de toda a relação, com total descrição e sutileza é claro. Se já não estivesse sido praticamente excluída, ao meu ver.
   Claro que o homem ainda é um arrogante encantador mas mesmo sem querer, Kate se vê dentro de uma relação sensual e apaixonante com Anthony.
   Os dois ainda usam Edwina como desculpa para tudo o que acontece, o que só torna as coisas mais engraçadas. Mary e Violet, mães desses dois teimosos e orgulhosos, fazem aparições fofas para um empurrãozinho uma ou duas vezes.
 
   Considero uma separação clara do ódio e do amor entre Kate e Anthony, uma cena onde a amizade dos dois se fortalece e muda de direção. Quando Kate, uma mulher de 22 anos, se esconde em baixo da mesa da biblioteca durante uma tempestade. Passando por perto, o visconde vê a vela acesa dentro da biblioteca e achando perigoso entra e apaga a luz. Mas acha muito mais além da escuridão. E quem mais para estar acordado de madrugada para ajudar a moça indefesa, do que o visconde perfeito?

“Então ele conseguiu se acomodar debaixo da mesa, ao lado dela, e passou o braço por cima dos ombros trêmulos. Ela pareceu relaxar um pouco a seu toque, o que lhe causou uma curiosa sensação: uma espécie de orgulho por ter conseguido ajudá-la. Além, é claro, de um alivio profundo, pois era doloroso vê-la, naquele tormento.”
Página 157 - Anthony e Kate

   Foi nesse momento que Kate percebe que Anthony não é o cafajeste que ela pensava. Ou que pelo menos, saberá tratar sua futura esposa com a delicadeza e a afeição necessária. Mas mesmo no seu interior Kate se sente mal por não se opor mais ao cortejo. Ela não sabe bem o porquê, mas havia uma centelha entre os dois que não podia ser deixada de lado simplesmente, e ela não estava se sentindo bem em “dá-lo” para sua irmã.
   Até que, em acaso do destino, Anthony se vê em choque quando o que causou a morte de seu pai Edmund, pode proporcionar o mesmo fim a Katherine Sheffield bem na sua frente. Desesperado e em transe para não deixar o mesmo acontecer a moça, os dois são flagrados em uma posição constrangedora. *Não darei spoilers sobre isso*
   Sendo pressionado pelas testemunhas, Anthony acaba aceitando se casar com Katherine pelo bem da reputação da moça.
   Como se fosse impossível isso não acontecer, o casal entra em um estado de negação e paixão louco. Anthony ainda acredita na sua morte certa e Katherine certa de que esse homem se tornou sua perdição, já que estão num matrimonio forçado. Cada um com seus medos e vivendo sobre o mesmo teto. Aos poucos percebemos como os dois são tão parecidos e precisam tanto um do outro.
O romance é narrado de forma inteligente pela autora, e alguns capítulos revezam a narração entre Kate e Anthony.

“– Por quê?
– Por que o quê?
– Por que você tem que se casar este ano?
Ele fez uma pausa. Não havia uma resposta para essa pergunta. Por isso, retrucou:
– Porque sim, e isso é uma boa razão para mim. Quanto a você, um dia vai ter que se casar...
Ela voltou a interrompê-lo:
– Para ser sincera, eu já imaginava que nunca me casaria.
Anthony sentiu seus músculos se retesarem e precisou de alguns segundos para perceber que o que sentia era raiva.
– Você planejava viver como uma solteirona?
Ela assentiu, com os olhos inocentes e sinceros ao mesmo tempo.
– Parecia uma possibilidade definitiva, sim.
Ele permaneceu imóvel por alguns segundos, pensando que seria capaz de matar todas as pessoas –homens ou mulheres – que a comparavam a Edwina e a consideravam sem graça. Kate não fazia ideia de como podia ser atraente e desejável por seus próprios atributos.”

Pág. 182- Anthony e Kate

   E como na maioria dos livros dessa série, todo capítulo começa com uma citação da famosa criticadora e misteriosa inglesa que usa o pseudônimo ‘Lady Whistledown’ para publicar as fofocas mais quentes da sociedade. E enquanto lemos o livro, até podemos imaginar quem é essa mulher ou homem. Para os leitores ficarem curiosos.... Um dos livros da série é sobre a Lady.
“Homens são criaturas contraditórias. A mente e o coração nunca estão de acordo. E, como sabem muito bem as mulheres, suas ações costumam ser governadas por um aspecto completamente diferente. 
 CRÔNICAS DA SOCIEDADE DE LADY WHISTLEDOWN
29 DE ABRIL DE 1814”
Julia Quinn soube escrever um romance de época com detalhes impressionantes e conseguiu desenvolver um amor verdadeiro sob pressão da sociedade. Aqui vai a ordem da série Os Bridgerton.


São 8 livros no total, sendo que a editora Arqueiro publicou os quatro primeiros aqui no Brasil. 

1) O Duque e Eu
2) O Visconde que me amava
3) Um perfeito cavalheiro
4) Os segredos de Colin Bridgerton

Aguardando publicações:
  *Traduções hipotéticas*
5) Para Sir Phillip com amor
6) O Coração De Uma Bridgerton
7) Por um beijo
8) A caminho do casamento


   Entre os setes livros que eu li, o Visconde que me amava é com certeza o meu preferido. Por isso decidi fazer a postagem de opinião antes dos outros livros.

   PS. Estou escrevendo isto agora por conta da insônia e das risadas que o livro me causou na madruga. E peço desculpas para quem achou o texto grande demais, mas foi a minha paixão pelos personagens que me fez fazer tudo isso kkkk

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